quarta-feira, 23 de junho de 2010
intervenção s/ retrato
Texto do livro: O local da Diferença. Seligmann - Silva, Marcio. Editora 34, 2005. p 43.
terça-feira, 22 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Linhas
É preciso servir para algo, ser útil para humanidade, seguir uma tradição onde a figura do mártir ainda é posta como exemplo. Aquele que se sacrifica por todos. Ideal este que ainda hoje alimenta revoluções extremistas, totalitarismos, segregação, pré-conceitos e dor. Ora, querer mudar um sistema e impor outro a “toda” humanidade, para o bem de todos, não é uma atitude redundante? A verdadeira revolução é a revolução de todos os dias, do cotidiano, de pequenas minações, destruições e criações, que se enredando aqui e ali, lá e mais além, puxando um pouco aqui, rasgando ali do outro lado. Uma revolução feita em âmbito microscópico, deixando os limites ali expostos à reflexão.
Os limites de que falo aqui são os perímetros postos pela civilização ocidental, contornando seu desenho atual, mas que provém de várias temporalidades e espaços. Toda uma mentalidade, um sistema de valores, de perspectivas, de previsões... Mecanismos de perpetuação, de continuação, de repetição de tradições, imagens. Certa linearidade onde se desenham teias. Cada pessoa pode tecer a sua parte e tal, mas também podem rasgar, destruir, abrir um buraco, começar a desfiação...
As máquinas são exemplares nesse serviço de perpetuação. Elas foram feitas, pelo menos a maioria delas, para fazer movimentos repetitivos. Repete, repete, repete. Reproduz, reproduz. Claro, nem sempre reproduz as mesmas coisas, mas reproduz da mesma maneira(que é sua habilidade especifica) todas as coisas. Mas a “reprodução” não garante a igualdade das coisas que se reproduzem. Assim não poderíamos falar em re-produção, mas em produção em série.
Mas essa produção em série, mesmo tendo suas pequenas diferenciações na semelhança entre si, apresenta, na trivialidade cotidiana dos dias, alguns exemplares de diferenciação extrema. Movimentos, atitudes reivindicadoras das maquinas? Acaso? Defeito? Chamem o técnico para arrumar...
Foi assim que nasceram as linhas e espaços pretos de minhas folhas brancas A4. De um erro? Talvez. A repetição leva à diferenciação. Quanto mais forte for propensão à homogeneização, maior será a tendência a criação de linhas de fuga. No meu caso, literalmente. E depois, eu mesma, fotocopiei essas “linhas de fuga”, que foram criando outras linhas, outros espaços em preto e branco sempre.
Linhas perdidas no espaço. Que vem de um não sei quê e vão pra não sei onde, num movimento silencioso e cego no meio do nada. Dão a idéia de um intenso devir, um vir-a-ser constante, que brota do nada, do buraco, do ponto, e que num movimento continuo, mais ou menos acelerado, torna a linha possível, esse vestígio do brotar. Brotar esse que não foi idealizado, mas que veio a ser sem intenção. Ao mesmo tempo caminho e limiar, trilhos...de um trem que talvez nunca passará. Num vazio tão grande, cheio de nada. Nada preto e nada branco. Silêncio.
Será talvez a tentativa de falar da maquina? Linguagem estranha feita de linhas. De linhas e de vazio.
Ou o grito sufocado de uma amnésia humana. Que por medo de perder, repete, copia, multiplica as mesmas coisas, objetos e lembranças. Colocando suas mentes e pensamentos num baú, guardado num porão de casa, usando esses suportes e impressões quando convém. Essa é a lógica da multiplicação de fotocópias: o medo de perder a memória e esquecer de “tudo”, ou seja, sua identidade.
E no entanto as linhas atravessam a folha, sem respeitar nada nem ninguém. Não são lembrança de nada, não dizem nada, e no entanto...saem da maquina, nascem dela sem explicação. Atravessando os textos com um pouco de esquecimento.
O vazio pode significar mil estados e condições. Segundo Roland Barthes “temos uma idéia um pouco química do vazio”, como ausência. Para ele o vazio seria o novo[1]. Ou o que gera, do não-ser para o vir a ser, aquela sensação de inacabado, de não dito.
Uma harmoniosa melodia de linhas perturbantes. Por que me fascinaram? Por que não as joguei fora? E ficaram um bom tempo ali por entre os textos cotidianos, aparecendo-me como espectros de uma lembrança inaudita. Me vinham aos olhos e os deixavam perplexos...nada podia esperar delas além daquele silencio angustiante. Tentei dá-las, ninguém as quis, folhas brancas e linhas apenas, ninguém as quis...
Talvez não fossem elas, as linhas ou as folhas A4, que fossem silenciosas, talvez fosse(e ainda sou) eu quem não as entenderia, que não soubesse lê-las, decifrá-las. Não me lembram nada, não fazem parte de passado algum, talvez nem queiram falar nada mesmo. Como linhas falariam?
E fico a olhá-las, esperando alguma visão, abstraio a mente e me perco no preto das linhas, e salto no abismo do branco.
[1] BARTHES, Roland. O rumor da língua.p,84.
estação
quinta-feira, 10 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Tímidos
Neste semestre resolvi explorar, no campo da arte, a minha própria timidez. Comecei o projeto Tímidos com ensaios fotográficos, mas no decorrer dos dias passei a brincar também com poemas, desenhos e até uma instalação, que foi parar numa galeria. Devo agradecimentos aos meus colegas de faculdade, às professoras Adriana e Virginia, à dona Petry e ao Carlinhos.
Algumas fotos...


“A timidez é uma condição alheia ao coração, uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão.”
Pablo Neruda
Instalação...
Das conversas e confissões em sala de aula, sobre a timidez, surgiram as questões do diário e da infância.

O resultado foi uma instalação composta por uma caixa e um boneco. Na foto acima vemos uma parte do processo de construção da obra, que poderá ser vista no Memorial Meyer Filho, em Florianópolis, a partir do dia 31/05 às 19h.

Cristina Elena Campos.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
BRASIL 0 X 1 FRANÇA. COPA 2006.

quinta-feira, 27 de maio de 2010
Vagalume Eletroluminescente
Instalação que simula vagalumes artificiais, aprofunda a reflexão sobre as situações em que a artificialização do mundo está interferindo e influenciando a construção cultural contemporânea e transformando a vida e as relações humanas, ocasionando transformações as quais não sabemos o quanto estamos preparados para conviver com elas.










