Sob a égide de um título insólito que sugere corpos cuja pele está esfacelada, apresenta-se um grupo de jovens artistas

aqui neste espaço. Sob diferentes abordagens o corpo mais ou menos tratado nos projetos aqui agrupados para fins de

interlocução com o público, está presente como engrenagem de reflexão, através do retrato, do cabelo, das linhas emaranhadas ou dispostas

em retas, das coleções, dos vagalumes, das fotografias e das inquietações pessoais. Os projetos apresentados dizem respeito a

certas intensidades e focos de interesse cujo patamar da visualidade atual é esfacelado, através de narrativas orais e interferências de ordem

desestabilizadora através da provocação, da sugestão e da troca pelo grupo em cada uma das apresentações; o fato de resultar num

aglomerado de imagens depõe a favor desta autorização dada pelo componente do mesmo para intervir no processo de elaboração e laboração da idéia

trazendo à tona outra possibilidade de leitura, de evocação, de olhar para um mais-além da grade que limita o campo de possíveis

alterações em função da opinião do outro.

Estes projetos estão em processo, o que está sendo apresentado aqui é uma das partes do esfacelamento cotidiano sob o qual o artista opera.



(...)

Adriana dos Santos

sexta-feira, 28 de maio de 2010

BRASIL 0 X 1 FRANÇA. COPA 2006.


Imaginem alguém que senta diante de uma TV para assistir a uma partida de futebol, coloca uma prancheta sobre as pernas e durante todo o tempo do jogo, 45, 48 minutos de um tempo, permanece concentrado perseguindo a movimentação da bola com uma caneta, capturando e registrando num papel a ação dos jogadores condicionada à movimentação da bola. Imaginem quantos ataques, contra – ataques, escanteios, impedimentos, chutes e laterais podem ocorrer numa partida de futebol. Haja caneta! Haja tinta! E imaginem o gol! Riscar e atravessar a folha, furar a rede, romper o limite do papel, vibrar, voltar ao centro do campo e recomeçar a partida até que o juiz apite o final e ponha fim à disputa.

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