A verdade parece residir agora no trauma: no corpo como anteparo dessa ferida; num corpo-cadáver que é visto como uma protoescritura que testemunha o trauma. Nessa nossa cultura fascinada pelo trauma estabelece-se uma nova ética e estética da representação. A fotografia concebida não na sua definição metafísica de espelho do real, ou romântica transformação do real, mas sim como "traço de um real", deve ser tomada como um ideal da arte do trauma. A fotografia assim concebida não seria nem um ícone nemum símbolo do real, mas sim um índice do mesmo: assim como a fumaça é um indício do fogo, a sombra indica uma presença, a cicatriz é a marca de uma ferida ou a ruína um traço do passado.
Texto do livro: O local da Diferença. Seligmann - Silva, Marcio. Editora 34, 2005. p 43.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário