Sob a égide de um título insólito que sugere corpos cuja pele está esfacelada, apresenta-se um grupo de jovens artistas

aqui neste espaço. Sob diferentes abordagens o corpo mais ou menos tratado nos projetos aqui agrupados para fins de

interlocução com o público, está presente como engrenagem de reflexão, através do retrato, do cabelo, das linhas emaranhadas ou dispostas

em retas, das coleções, dos vagalumes, das fotografias e das inquietações pessoais. Os projetos apresentados dizem respeito a

certas intensidades e focos de interesse cujo patamar da visualidade atual é esfacelado, através de narrativas orais e interferências de ordem

desestabilizadora através da provocação, da sugestão e da troca pelo grupo em cada uma das apresentações; o fato de resultar num

aglomerado de imagens depõe a favor desta autorização dada pelo componente do mesmo para intervir no processo de elaboração e laboração da idéia

trazendo à tona outra possibilidade de leitura, de evocação, de olhar para um mais-além da grade que limita o campo de possíveis

alterações em função da opinião do outro.

Estes projetos estão em processo, o que está sendo apresentado aqui é uma das partes do esfacelamento cotidiano sob o qual o artista opera.



(...)

Adriana dos Santos

quarta-feira, 23 de junho de 2010

intervenção s/ retrato

A verdade parece residir agora no trauma: no corpo como anteparo dessa ferida; num corpo-cadáver que é visto como uma protoescritura que testemunha o trauma. Nessa nossa cultura fascinada pelo trauma estabelece-se uma nova ética e estética da representação. A fotografia concebida não na sua definição metafísica de espelho do real, ou romântica transformação do real, mas sim como "traço de um real", deve ser tomada como um ideal da arte do trauma. A fotografia assim concebida não seria nem um ícone nemum símbolo do real, mas sim um índice do mesmo: assim como a fumaça é um indício do fogo, a sombra indica uma presença, a cicatriz é a marca de uma ferida ou a ruína um traço do passado.
Texto do livro: O local da Diferença. Seligmann - Silva, Marcio. Editora 34, 2005. p 43.

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